terça-feira, 14 de abril de 2009

Efeito de produtos cúpricos no controle da ferrugem asiática da soja


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A ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, vem causando prejuízos alarmantes na sojicultura brasileira nos últimos dois anos. A produção da safra 2003/2004, estimada em 61 milhões de toneladas não ultrapassará os 51,5 milhões de toneladas devido aos danos causados pela doença. O presente trabalho objetivou estudar o controle da ferrugem por meio de produtos a base de cobre, bem como quantificar a melhor dosagem a ser aplicada. Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado, com seis tratamentos e quatro repetições na FCAV/UNESP – Campus Jaboticabal.
O tratamento em que aplicou-se o produto Calda Bordalesa pH 7 a 1,0% apresentou um controle satisfatório quando comparado aos demais, o que não aconteceu com os demais tratamentos. Como conclusão, obteve-se que o produto Borda Ferti pH 7 aplicado na concentração de 1,0% apresenta um bom controle da doença, e que a calda bordalesa não apresentou controle satisfatório.
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INTRODUÇÃO

A ferrugem asiática de soja, causada pelo fungo Phakopsora packyrhizi Sydow & P. Sydow, foi constatada pela primeira vez no continente americano em março de 2001, no Paraguai, oportunidade em que causou redução de rendimento de 1.100 kg/ha. Trata-se de uma doença de muita importância em áreas tropicais e subtropicais (CARVALHO e FIGUEIREDO, 2000). Na safra 2001/2002, a doença voltou a ocorrer em todo o Paraguai e nos estados brasileiros do Rio Grande do Sul, do Paraná, de São Paulo, de Mato Grosso do Sul, de Mato Grosso e de Goiás. Nos locais mais atingidos, as reduções no rendimento de grãos foram estimadas entre 30% e 70%. A perda por ferrugem, no Brasil, em 2002, foi estimada em 112 mil toneladas, ou US$ 24,7 milhões, considerando o valor de US$ 220,50 por tonelada de grãos (YORINORI, 2002; YORINORI et al., 2002). Na safra 2003/2004, segundo estimativas realizadas pelo USDA, o Brasil seria responsável por uma produção de cerca de 61 milhões de toneladas, o que não será atingido devido a fatores desfavoráveis de clima e ao ataque da ferrugem. Segundo estimativa realizada pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) a safra brasileira não ultrapassará 51,5 milhões de toneladas.
A resistência genética seria a melhor alternativa para o controle, mas no momento nenhuma variedade comercial apresenta resistência à doença. Desta forma o controle por meio de pulverização de fungicidas vem sendo utilizado elevando o custo de produção da cultura (ITO et al, 2004). A utilização de produtos a base de cobre seria uma boa alternativa para o controle da doença, devido ao seu baixo custo e também a sua baixa toxicidade. O presente trabalho tem por objetivo testar a eficiência de um produto cúprico, bem como determinar a melhor dosagem a ser utilizada no controle da ferrugem asiática.
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MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado no ripado, situado na área experimental do Departamento de Produção Vegetal, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, UNESP- Câmpus Jaboticabal. Utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado (DIC), com seis tratamentos e quatro repetições. Os tratamentos testados são apresentados: tratamento 1: testemunha; tratamento 2: aplicação do produto Calda Bordalesa pH 7 a 0,10 L p.c. / 100L de água, tratamento 3: aplicação do produto Calda Bordalesa pH 7 a 0,70 L p.c. / 100L de água, tratamento 4: aplicação do produto Calda Bordalesa pH 7 a 1,00 L p.c. / 100L de água, tratamento 5: aplicação de Calda Bordalesa 1,50 L p.c. / 100L de água e tratamento 6: aplicação do fungicida epoxiconazole + pyraclostrobin (Ópera) 0,5 l/ha. O produto comercial Calda Bordalesa pH 7 com pH estabilizado em 7, e com uma garantia de 7% de cobre e 3,3% de cálcio.
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Cada tratamento foi composto por um vaso contendo dez plantas da variedade MG/BR 46 (Conquista). No momento da realização do experimento as plantas se encontravam no estádio V5 de desenvolvimento (escala fenológica de FEHR e CAVINESS, 1997), apresentando quatro trifólios totalmente desenvolvidos. As pulverizações com os produtos testados ocorreram no mesmo dia da inoculação, isso com o intuito de se testar o efeito preventivo dos mesmos.
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A pulverização com os produtos foi realizada no período da manhã e a inoculação com o fungo foi realizada no final da tarde para evitar as altas temperaturas e favorecer a germinação e penetração do patógeno. A suspensão de esporos utilizada na inoculação foi conseguida através da pincelagem de folhas coletadas na própria Universidade, de onde se obteve os esporos. A concentração da suspensão de esporos foi ajustada para uma concentração de 4 x 105 esporos/mL, através de determinações efetuadas em hemocitômetro. As pulverizações dos fungicidas e da suspensão de esporos foram efetuadas com a ajuda de pulverizador Brudden L de 5 L. Após a pulverização com a suspensão de esporos, os vasos foram recobertos com sacos plástico preto por um período de 24 h para simular uma câmara úmida e escura, condição necessária para a ocorrência da infecção. Após o período de 24 h, os vasos foram mantidos sob nebulização, que por três vezes ao dia, realizaram um molhamento da superfície foliar. Após 20 dias da inoculação foi realizada a avaliação do nível de infecção da doença por meio de escala de notas propostas pela Embrapa para ferrugem asiática, sendo esta variando de 1 a 5, onde 1 – 1% a 4% de área foliar infectada (AFI), 2 – 5% a 19% de AFI, 3 – 20% a 49% de AFI, 4 – 50% a 74% de AFI, 5 – mais de 74% de AFI.
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Após transformação em RAIZ QUADRADA DE X + 0,5, os resultados foram submetidos a análise de variância pelo Teste F e as médias foram comparadas pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
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RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados da análise de variância estão apresentados na Tabela 1, onde se pode verificar que houve diferenças estatísticas significativas entre os tratamentos.
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Tabela 1. Análise de variância dos resultados obtidos no estudo dos efeitos de produtos aplicados em diferentes dosagens para controle da ferrugem asiática

** F significativo a 1% de probabilidade
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Como pode ser observado na Tabela 2, os tratamentos com o Calda Bordalesa pH 7 nas dosagens de 0,10 L p.c. / 100L de água, 0,70 L p.c. / 100L de água e a calda bordalesa a 1,50 L p.c. / 100L de água apresentaram um maior nível de infecção de ferrugem, não diferindo da testemunha. Entretanto, no tratamento com o produto Calda Bordalesa pH 7 a 1,00 L p.c. / 100L de água, verificou-se um controle satisfatório da doença, o que sugere que o emprego do produto poderá ser promissor. A maior eficiência no controle da ferrugem foi obtido com o fungicida epoxiconazole + pyraclostrobin (Ópera), porém foram observados sintomas de fitointoxicação. Estudos mais detalhados sobre o emprego do produto Calda Bordalesa pH 7 deverão ser efetuados posteriormente.
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Tabela 2. Médias do nível de infecção com ferrugem asiática com comparação pelo Teste de Tukey

1/ Médias seguidas pela mesma letra não diferem entre si pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade
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CONCLUSÕES

Através dos resultados apresentados no presente trabalho pode-se concluir que:
O produto comercial Calda Bordalesa pH 7 apresentou um controle satisfatório da ferrugem asiática na dosagem de 1,0 L p.c. / 100 l de água.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO JÚNIOR, A. A. de; FIGUEIREDO, M. B. A verdadeira identidade da ferrugem da soja no Brasil. Summa Phytopathologica, Jaboticabal, v. 26, n. 2, p. 197-200, abr./jun. 2000.
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FEHR, W. R.; CAVINESS, C. E. Stage of soybean development. Ames. Iowa State University, 1981. 12p (Iowa Cooperative Extensive Service. Special Report, 80). ITO, M. A., FUDO, C. H., ITO, M. F.
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Tetraconazole fungicide in the control of soybean rust on three severities levels. In: VII World Soybean Research Conference. Abstracts of contributed papers and posters. Foz do Iguassu, February 29 to March 5, p.87, 2004.
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YORINORI, J.T. Ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi): ocorrência no Brasil e estratégias de manejo. In: II Encontro Brasileiro sobre Doenças da Cultura da Soja. Resumos de Palestras. Passo Fundo, Aldeia Norte, 20-21 agosto 2002. p.47-54, 2002.
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YORINORI, J.T.; MOREL, W.P.; FREDERICK, R.D.; COSTAMILAN, L.M.; BERTAGNOLLI, P.F. Epidemia de ferrugem da soja (Phakopsora pachyrhizi) no Brasil e no Paraguai, em 2001 e 2002. Fitopatologia Brasileira, v.27 (Suplemento), p.S178, 2002. Resumo.

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